O Professor não é o vosso puto pessoal





Há uma epidemia nas salas de aula: a ideia de que o professor deve ser um buffet emocional, sempre disponível para servir paciência ilimitada, notas inflacionadas e validação instantânea, sem exigir nada em troca. Pior ainda: a noção de que qualquer desafio que provoque desconforto é "mau ensino", quando, na verdade, é exatamente o que o vosso cérebro, sim, esse órgão que usam mais para scrollardo que para pensar, precisa para crescer.
O Cérebro aprende no desconforto (até as Neurociências dizem isso)

Sabem aquela sensação de frustração quando o professor vos pede para explicar em voz alta uma resposta que não dominam? Ou quando vos coloca num debate e vocês têm de defender um ponto de vista contrário ao vosso? Pois é, isso chama-se aprendizagem.

A neurociência já provou que o cérebro só forma novas ligações neuronais quando é desafiado. Um estudo da Universidade de Stanford mostrou que os alunos que são expostos a tarefas difíceis, mesmo que inicialmente falhem desenvolvem mais resiliência cognitiva e maior capacidade de resolver problemas. Ou seja, se só fizerem o que é fácil, ficam com um cérebro "mole" como um músculo que nunca é exercitado.
A Falácia do "Mas eu não consigo"

Ah, e depois há o clássico: "Não sei fazer isto, o professor devia explicar melhor!". Mas vejamos o que a ciência diz: a memória de longo prazo só se forma quando há esforço ativo. Se o professor vos der tudo mascado, a informação desaparece em 48h. Agora, se vos obrigar a raciocinar, a errar, a tentar outra vez ai, essa dor momentânea é o vosso cérebro a criar sinapses novas.



Exemplo prático: um aluno que chora porque tem de fazer uma apresentação em público. "O professor está a humilhar-me!" Não, meu caro, está a dar-vos o que a vida real vai dar e sem aviso prévio. A neurociência mostra que situações moderadamente stressantes (como falar para a turma) libertam noradrenalina, um químico que melhora o foco e a memória. Ou seja, o que hoje parece um suplício é, na verdade, um upgrade cerebral.
O Mito da Motivação Perpétua

Outra pérola: "O professor não me motiva!". Meus amigos, a motivação não é um uber que o professor tem de chamar por vocês. A neurociência já descobriu que a motivação vem depois da ação, não antes. Ou seja, não vão ficar inspirados magicamente têm de começar a agir, mesmo sem vontade, e só depois o cérebro liberta dopamina (a tal hormona do prazer).

Se esperam que o professor vos entretinha como um influencer do Instagram para só então decidirem aprender, estão tramados. A vida não funciona assim e o vosso córtex pré-frontal (a parte do cérebro que planeia e toma decisões) agradece quando vocês o exercitam, em vez de o deixarem atrofiar.
Conclusão: Cresçam ou Afundem-se

O professor não é o vilão por vos colocar perante desafios. É o único adulto na vossa vida que ainda se importa o suficiente para vos incomodar porque sabe que, sem isso, ficam com um cérebro flácido e uma personalidade à base de whining constante.

A escola não é um resort onde o cliente tem sempre razão. É um ginásio mental. E se acham que é "mau ensino" quando o professor não vos dá tudo de mão beijada, lembrem-se:

Quem quer, faz. Quem não quer, arranja desculpas.

(E o vosso cérebro, esse, já sabe qual dos dois vocês costumam ser.)

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