Faculdade não é despesa, é o investimento que a IA nunca substituirá


Quase metade da Geração Z considera o ensino superior uma perda de tempo e de dinheiro. A culpa, dizem, é da inteligência artificial. Uma pesquisa da Indeed vai mais longe: 51% dos jovens acreditam que o diploma já não justifica o investimento. Os motivos são claros: propinas elevadas, medo do desemprego, urgência por retorno rápido e a convicção de que “na internet se aprende tudo”. Discordo. Discordo com firmeza e sem rodeios.

A faculdade não é um bilhete para o primeiro emprego. É um trampolim para relevância, impacto e legado que se constroem ao longo de décadas. O erro está em medir o seu valor pelo salário de entrada ou pela empregabilidade imediata. Isso é reduzir uma maratona a um sprint.

O que a universidade oferece não se aprende em tutoriais do YouTube nem em prompts de ChatGPT. Aprende-se a pensar criticamente, a estruturar argumentos, a comunicar com clareza e profundidade. Aprende-se a conviver com o diferente, a respeitar limites, a lidar com o fracasso e a persistir. Desenvolve-se disciplina, resiliência, empatia – competências que nenhuma IA replica porque exigem experiência humana, confronto, maturação.

E há mais: o networking que se constrói ali é para a vida. Não são contactos frios de LinkedIn, mas relações forjadas em noites de estudo, debates acesos, projetos em grupo e jantares de curso. São amigos que se tornam sócios, colegas que abrem portas, mentores que orientam. É uma comunidade viva – encontros e reencontros que se prolongam por décadas. Essa rede, alimentada por memórias partilhadas e confiança mútua, terá influência nos próximos 20 anos: nas contratações, nos investimentos, nas parcerias, nos conselhos que moldam carreiras.

O problema não está no ensino. Está no imediatismo. Quer-se sucesso sem base, resultado sem processo, atalho sem jornada. Acredita-se que quatro anos de estudo são “demasiado tempo” quando, na verdade, são o alicerce de uma carreira que pode durar quarenta. A IA automatiza tarefas; não constrói redes, não lidera equipas, não inova com propósito. Quem tiver apenas competências técnicas rapidamente substituíveis ficará refém da próxima atualização de algoritmo.

O estudo superior não é uma relíquia. É o investimento mais sólido que um jovem pode fazer – não só financeiro, mas existencial. Sem ele, o futuro será frágil. Com ele, será inabalável. A escolha é clara: base sólida ou castelo de areia digital. Diria que: eu sei onde apostar.

Quem quer faz, quem não quer arranja desculpas.

Comentários